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emotional
funny
hopeful
sad
medium-paced
Plot or Character Driven:
Character
Strong character development:
Yes
Loveable characters:
Yes
Diverse cast of characters:
No
Flaws of characters a main focus:
Complicated
Este é o relato de alguns dos anos da vida de Quoyle, nascido em Brooklyn e criado numa série de enfadonhas cidades no Norte do estado de Nova Iorque.
Pele manchada de urticária, entranhas revolvidas por gases e cãibras, sobreviveu à infância. Na universidade pública, mão presa sobre o queixo, camuflou a angústia com sorrisos e silêncio. Foi tropeçando pelos vinte anos, trinta, aprendendo a separar os sentimentos que tinha da vida que levava, contentando-se com o nada.
The Shipping News, ao contrário daquilo que as sinopses, avaliações e parágrafos de abertura nos possam fazer prever, não é um romance sobre um homem falhado chamado Quoyle que, depois de enviuvar de uma mulher infiel, em mãos com duas filhas pequenas, parte em busca de uma nova vida na longínqua Terra Nova. Ou melhor, The Shipping News não é só um romance sobre um homem falhado chamado Quoyle que, depois de enviuvar de uma mulher infiel, em mãos com duas filhas pequenas, parte em busca de uma nova vida na longínqua Terra Nova: o nervo central do romance é precisamente essa Terra Nova inóspita, inclemente, dura, fria e mística que acolhe um pai e duas filhas no seu seio - e a forma como Proulx faz desta terra a personagem principal do seu romance é magistral:
Inda há poucos anos, primeira semana de Dezembro, tivemos ventos de uivar, vagas de dez metros a esbarrar na costa, parecia que o fundo do mar 'tava a vir ao de cima. Havias de ter visto o Billy lá sentado no canto dele a tremer, gelado do frio. E depois, uma semana ou duas mais tarde, a chuva mais cerrada que alguém já viu. Cheias e destruição. A barragem do Perdido rebentou. Nem sei quantos milhões de dólares de prejuízo fez. As tempestades de Dezembro são as mais matreiras, inconstantes e cruéis. A gente pode passar da brisa quente para a tempestade polar em dez minutos...
Terra Nova, terreno agreste, acolhe Quoyle um falhanço como solitário, [que] ardia por ser social, por saber que a sua companhia era um prazer para os outros, personagem algo repelente, apaixonado por uma mulher desprezível a quem, de alguma maneira, Terra Nova vai ser capaz de transformar num homem novo, atuando como âncora de um amadurecimento tardio (tão tardio que Quoyle está quase na meia idade) em que se confundem a descoberta do amor, da paternidade, do sentido de família e pertença, a conciliação entre o passado nostálgico e o futuro incerto numa ilha que está inscrita no sangue de antepassados resilientes:
(...)não te estou a dizer que a vida(...) qu'era fácil. Fáceis é que as coisas nunca foram(...), mas tinham as vacas, um pouco de feno, as framboesas, o peixe, as hortas de batatas, e no Verão, compravam farinha e toucinho ao mercador em Unha-de-Fateixa, e se era tempo de vacas magras, partilhavam tudo, ajudavam os vizinhos. É verdade que não tinham dinheiro pra nada, e o mar era perigoso e morriam homens, mas era uma vida que tinha as suas satisfações, alegrias que a gente de hoje já não compreende. Havia uma juntura das vidas, de toda a gente a trabalhar junta, e às vezes era suave, outras tinha lá os seus altos e baixos, mas as pessoas viviam todas por junto. O trabalho que se fazia e a vida que se levava eram a mesma coisa, não eram separadas como hoje em dia.
Em The Shipping News, a natureza é esta figura incontestada capaz de criar e destruir com igual propriedade, sem clemência perante forte ou fraco, o que traz uma certa justiça cega, mas poética, à vida de Quoyle:
A vida não se faz sem dor nem perda(...)se não souberem o que é a morte, como podem compreender a parte profunda da vida? As estações, a natureza, a criação...
Aceitar a lei natural, que se impõe acima da lei do homem, aceitar que a vida é tudo aquilo que foge do nosso controlo tanto como é aquilo que controlamos, reconhecer a força dos elementos acima de qualquer outra coisa, tomada de consciência que poderia e deveria atormentar qualquer um de nós, será para Quoyle uma epifania mais do que urgente:
Vocês sabem todos que a gente so cá está de passagem. Só andamos sobre estas pedras umas poucas de vezes, os nossos barcos a flutuar uma nica e depois têm de ir ao fundo. A água é uma flor escura e um pescador é uma abelha no coração dela.
No entanto, apesar da agressividade da paisagem, da inclemência dos elementos e da dureza dos homens, a forma como Proulx cria conforto a partir de um mundo caótico, perigoso e solitário atua como o cenário perfeito para o amadurecimento de Quoyle, permite criar uma história apaixonante e coerente em que a ligação à natureza, aos instintos primordiais, a terra, água, fogo e ar são peças centrais de uma redenção que muitos procuram, mas muito poucos encontram.
No fim de tudo, apenas fiquei de pé atrás com as opções de pontuação (muito estranhas!) desta edição. Pelo que sei, Proulx é conhecida por usar de uma linguagem muito própria, mas não consegui perceber se isso chegava a tanto como aquilo que nos é oferecido pela tradução. Apesar de não ofuscar a obra, é desconfortável ter de reconhecer que há problemas a resolver (nesta ou na edição original) poi, por muito inovador que seja o estilo de um autor, há certas coisas que simplesmente não funcionam (ex. Serviu mais uma chávena de chá preto a Quoyle. Cuja língua estava áspera como a de um gato.).
Pele manchada de urticária, entranhas revolvidas por gases e cãibras, sobreviveu à infância. Na universidade pública, mão presa sobre o queixo, camuflou a angústia com sorrisos e silêncio. Foi tropeçando pelos vinte anos, trinta, aprendendo a separar os sentimentos que tinha da vida que levava, contentando-se com o nada.
The Shipping News, ao contrário daquilo que as sinopses, avaliações e parágrafos de abertura nos possam fazer prever, não é um romance sobre um homem falhado chamado Quoyle que, depois de enviuvar de uma mulher infiel, em mãos com duas filhas pequenas, parte em busca de uma nova vida na longínqua Terra Nova. Ou melhor, The Shipping News não é só um romance sobre um homem falhado chamado Quoyle que, depois de enviuvar de uma mulher infiel, em mãos com duas filhas pequenas, parte em busca de uma nova vida na longínqua Terra Nova: o nervo central do romance é precisamente essa Terra Nova inóspita, inclemente, dura, fria e mística que acolhe um pai e duas filhas no seu seio - e a forma como Proulx faz desta terra a personagem principal do seu romance é magistral:
Inda há poucos anos, primeira semana de Dezembro, tivemos ventos de uivar, vagas de dez metros a esbarrar na costa, parecia que o fundo do mar 'tava a vir ao de cima. Havias de ter visto o Billy lá sentado no canto dele a tremer, gelado do frio. E depois, uma semana ou duas mais tarde, a chuva mais cerrada que alguém já viu. Cheias e destruição. A barragem do Perdido rebentou. Nem sei quantos milhões de dólares de prejuízo fez. As tempestades de Dezembro são as mais matreiras, inconstantes e cruéis. A gente pode passar da brisa quente para a tempestade polar em dez minutos...
Terra Nova, terreno agreste, acolhe Quoyle um falhanço como solitário, [que] ardia por ser social, por saber que a sua companhia era um prazer para os outros, personagem algo repelente, apaixonado por uma mulher desprezível a quem, de alguma maneira, Terra Nova vai ser capaz de transformar num homem novo, atuando como âncora de um amadurecimento tardio (tão tardio que Quoyle está quase na meia idade) em que se confundem a descoberta do amor, da paternidade, do sentido de família e pertença, a conciliação entre o passado nostálgico e o futuro incerto numa ilha que está inscrita no sangue de antepassados resilientes:
(...)não te estou a dizer que a vida(...) qu'era fácil. Fáceis é que as coisas nunca foram(...), mas tinham as vacas, um pouco de feno, as framboesas, o peixe, as hortas de batatas, e no Verão, compravam farinha e toucinho ao mercador em Unha-de-Fateixa, e se era tempo de vacas magras, partilhavam tudo, ajudavam os vizinhos. É verdade que não tinham dinheiro pra nada, e o mar era perigoso e morriam homens, mas era uma vida que tinha as suas satisfações, alegrias que a gente de hoje já não compreende. Havia uma juntura das vidas, de toda a gente a trabalhar junta, e às vezes era suave, outras tinha lá os seus altos e baixos, mas as pessoas viviam todas por junto. O trabalho que se fazia e a vida que se levava eram a mesma coisa, não eram separadas como hoje em dia.
Em The Shipping News, a natureza é esta figura incontestada capaz de criar e destruir com igual propriedade, sem clemência perante forte ou fraco, o que traz uma certa justiça cega, mas poética, à vida de Quoyle:
A vida não se faz sem dor nem perda(...)se não souberem o que é a morte, como podem compreender a parte profunda da vida? As estações, a natureza, a criação...
Aceitar a lei natural, que se impõe acima da lei do homem, aceitar que a vida é tudo aquilo que foge do nosso controlo tanto como é aquilo que controlamos, reconhecer a força dos elementos acima de qualquer outra coisa, tomada de consciência que poderia e deveria atormentar qualquer um de nós, será para Quoyle uma epifania mais do que urgente:
Vocês sabem todos que a gente so cá está de passagem. Só andamos sobre estas pedras umas poucas de vezes, os nossos barcos a flutuar uma nica e depois têm de ir ao fundo. A água é uma flor escura e um pescador é uma abelha no coração dela.
No entanto, apesar da agressividade da paisagem, da inclemência dos elementos e da dureza dos homens, a forma como Proulx cria conforto a partir de um mundo caótico, perigoso e solitário atua como o cenário perfeito para o amadurecimento de Quoyle, permite criar uma história apaixonante e coerente em que a ligação à natureza, aos instintos primordiais, a terra, água, fogo e ar são peças centrais de uma redenção que muitos procuram, mas muito poucos encontram.
No fim de tudo, apenas fiquei de pé atrás com as opções de pontuação (muito estranhas!) desta edição. Pelo que sei, Proulx é conhecida por usar de uma linguagem muito própria, mas não consegui perceber se isso chegava a tanto como aquilo que nos é oferecido pela tradução. Apesar de não ofuscar a obra, é desconfortável ter de reconhecer que há problemas a resolver (nesta ou na edição original) poi, por muito inovador que seja o estilo de um autor, há certas coisas que simplesmente não funcionam (ex. Serviu mais uma chávena de chá preto a Quoyle. Cuja língua estava áspera como a de um gato.).
Read this in the 1990's, but came across it and realized I remembered very little. It is still beautiful! Such a great way to be transported to a very different but very human world. (The fishing community of Newfoundland.)
adventurous
emotional
inspiring
reflective
sad
medium-paced
Plot or Character Driven:
Character
Loveable characters:
Yes
Diverse cast of characters:
Yes
Flaws of characters a main focus:
No
I thoroughly enjoyed reading this book! Although it bumps up on the edge of unrealistic for Newfoundland a couple of times I still feel that Annie Proulx captured the essence of the island in her writing. A fascinating bunch of characters, a great old yarn in the middle and a gripping story at the heart of it all.
emotional
inspiring
reflective
slow-paced
Plot or Character Driven:
Character
Strong character development:
Yes
Loveable characters:
No
Diverse cast of characters:
Yes
Flaws of characters a main focus:
Yes
Beautifully written. This book started my love affair with Annie Proulx. It might not be for those who like fast-moving, plot-driven novels; however if you love fantastic and complex characters living in gorgeous places, then you'll love it too.
Also, I am a big fan of books that give readers "subtle" reminders of what we are in for. For example, at the beginning of every chapter, there is a different knot used in boating, and a description of that knot. Those knots and descriptions drift in unison with the story itself.
Also, I am a big fan of books that give readers "subtle" reminders of what we are in for. For example, at the beginning of every chapter, there is a different knot used in boating, and a description of that knot. Those knots and descriptions drift in unison with the story itself.
reflective
slow-paced
Plot or Character Driven:
Character
Strong character development:
Yes
Loveable characters:
Yes
Diverse cast of characters:
Yes
Flaws of characters a main focus:
Yes
Good ending, didn't like how there wasn't immediate follow-up on big events--kept me reading though.