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1 review for:
Biblical Narrative in the Philosophy of Paul Ricoeur: A Study in Hermeneutics and Theology
Kevin J. Vanhoozer
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Biblical Narrative in the Philosophy of Paul Ricoeur: A Study in Hermeneutics and Theology
Kevin J. Vanhoozer
Muito bom.
Obra é uma adaptação da tese doutoral de Kevin Vanhoozer.
A primeira parte é uma apresentação da hermenêutica de Paul Ricoeur. Vanhoozer propõe que a filosofia de Ricoeur é mais bem compreendida como uma continuidade das obras de Kant e Heidegger, procurando responder a pergunta: "o que é um ser humano?".
De Heidegger, Ricoeur aceita a ideia de que o homem é um ser temporal de uma forma diferente de outros seres, pois são os únicos orientados para o futuro. De Kant, Ricoeur empresta a noção de imaginação criativa para explicar como o pensar pode ir além da experiência ou conceitos.
A partir da possibilidade da imaginação criativa, imaginar possibilidades diversas, Ricouer propõe uma antropologia filosófica que converge com uma hermenêutica, que interpreta as várias expressões humanas de modos de ser ou viver.
A metáfora, devido a sua capacidade de nos fazer referenciar o real em termos de possibilidades, se torna o paradigma de discurso analisado por Ricoeur. Elas nos permitem comtemplar o mundo e o eu de formas diferentes, permitindo uma "reconfiguração" da realidade e do eu. História e ficção compartilham desse poder "reconfigurador" da metáfora, apresentado formas diferentes de ser e estar no mundo e no tempo. Ricouer chama o poder da imaginação de "paixão pelo possível". Narrativas, nos apresentam os limites do que seria possível.
Em suma, Ricoeur propões que o homem não se define por sua própria vontade, mas sua definição depende da linguagem e da literatura. O sentido e o escopo do que é humanamente possível já é dado de forma pré reflexiva: "O que chamamos de ego não é uma construção autônoma, mas uma dádiva da linguagem poética e literatura". O papel do filósofo é analisar o que foi dado no discurso, tanto histórico quanto poético.
Na segunda parte do livro, Vanhoozer analisa as contribuições da hermenêutica de Paul Ricoeur para a interpretação bíblica. Por um lado, Vanhoozer defende a importância de Ricouer na reabilitação da poética do texto bíblico, o que nos permite sua apropriação de forma existencial. Abrindo novas possibilidades de ser e estar no mundo. Ricoeur propões que os evangelhos nos mostram a verdadeira possibilidade do que é ser humano.
Vanhoozer, porém, questiona se a leitura que Ricoeur faz dos evangelhos é um exemplo de sua hermenêutica geral ou sua hermenêutica é uma generalização de sua interpretação bíblica. Em outras palavras, Ricoeur entende que as possibilidades apresentadas pelos evangelhos são exemplos de possibilidades já presentes na realidade ou essas são generalizações da especificidade do evangelho.
Devido a esse questionamento, Vanhoozer analisa como Ricouer entende o papel do Espírito Santo e da historicidade do texto bíblico. Ele afirma que, apesar de Ricoeur não negar a historicidade do texto, sua obra parece apontar para a primeira opção. Sendo assim, a historicidade do texto seria irrelevante, pois as verdades apresentadas pela poética seriam universais. Sobre o Espírito Santo, Vanhoozer afirma que Ricouer desconsidera sua atuação, atribuindo a imaginação a capacidade de apropriação do texto e a possível mudança na forma de ser ou estar no mundo.
A obra é muito densa, Vanhoozer coloca Ricoeur em diálogo com Kant e Heidegger na primeira parte e com Barth, Tillich, Pannenberg, Bultmann, Frei e Tracy na segunda parte.
Por falta de familiaridade com vários desses autores, não tenho condições de julgar as observações de Vanhoozer. Porém, me parecem acertadas à primeira vista.
Obra é uma adaptação da tese doutoral de Kevin Vanhoozer.
A primeira parte é uma apresentação da hermenêutica de Paul Ricoeur. Vanhoozer propõe que a filosofia de Ricoeur é mais bem compreendida como uma continuidade das obras de Kant e Heidegger, procurando responder a pergunta: "o que é um ser humano?".
De Heidegger, Ricoeur aceita a ideia de que o homem é um ser temporal de uma forma diferente de outros seres, pois são os únicos orientados para o futuro. De Kant, Ricoeur empresta a noção de imaginação criativa para explicar como o pensar pode ir além da experiência ou conceitos.
A partir da possibilidade da imaginação criativa, imaginar possibilidades diversas, Ricouer propõe uma antropologia filosófica que converge com uma hermenêutica, que interpreta as várias expressões humanas de modos de ser ou viver.
A metáfora, devido a sua capacidade de nos fazer referenciar o real em termos de possibilidades, se torna o paradigma de discurso analisado por Ricoeur. Elas nos permitem comtemplar o mundo e o eu de formas diferentes, permitindo uma "reconfiguração" da realidade e do eu. História e ficção compartilham desse poder "reconfigurador" da metáfora, apresentado formas diferentes de ser e estar no mundo e no tempo. Ricouer chama o poder da imaginação de "paixão pelo possível". Narrativas, nos apresentam os limites do que seria possível.
Em suma, Ricoeur propões que o homem não se define por sua própria vontade, mas sua definição depende da linguagem e da literatura. O sentido e o escopo do que é humanamente possível já é dado de forma pré reflexiva: "O que chamamos de ego não é uma construção autônoma, mas uma dádiva da linguagem poética e literatura". O papel do filósofo é analisar o que foi dado no discurso, tanto histórico quanto poético.
Na segunda parte do livro, Vanhoozer analisa as contribuições da hermenêutica de Paul Ricoeur para a interpretação bíblica. Por um lado, Vanhoozer defende a importância de Ricouer na reabilitação da poética do texto bíblico, o que nos permite sua apropriação de forma existencial. Abrindo novas possibilidades de ser e estar no mundo. Ricoeur propões que os evangelhos nos mostram a verdadeira possibilidade do que é ser humano.
Vanhoozer, porém, questiona se a leitura que Ricoeur faz dos evangelhos é um exemplo de sua hermenêutica geral ou sua hermenêutica é uma generalização de sua interpretação bíblica. Em outras palavras, Ricoeur entende que as possibilidades apresentadas pelos evangelhos são exemplos de possibilidades já presentes na realidade ou essas são generalizações da especificidade do evangelho.
Devido a esse questionamento, Vanhoozer analisa como Ricouer entende o papel do Espírito Santo e da historicidade do texto bíblico. Ele afirma que, apesar de Ricoeur não negar a historicidade do texto, sua obra parece apontar para a primeira opção. Sendo assim, a historicidade do texto seria irrelevante, pois as verdades apresentadas pela poética seriam universais. Sobre o Espírito Santo, Vanhoozer afirma que Ricouer desconsidera sua atuação, atribuindo a imaginação a capacidade de apropriação do texto e a possível mudança na forma de ser ou estar no mundo.
A obra é muito densa, Vanhoozer coloca Ricoeur em diálogo com Kant e Heidegger na primeira parte e com Barth, Tillich, Pannenberg, Bultmann, Frei e Tracy na segunda parte.
Por falta de familiaridade com vários desses autores, não tenho condições de julgar as observações de Vanhoozer. Porém, me parecem acertadas à primeira vista.