A review by katya_m
O Breve Reinado de Pepino IV by John Steinbeck

Sátira política e sátira ao Homem que é Pepino, este livro prima pelo picaresco do dia a dia, pela banalidade das ações humanas levadas a palco pelo autor com uma simplicidade encantadora. Steinbeck, com bonomia, tece personagens de caráter memorável com que o leitor pode (e deve) empatizar e com os quais irá aprender.

"Um dia [Pepino], foi na scooter até à pequena cidade de Gambais, famosa pelo seu perfeito, embora particularmente arruinado, Castelo de Neuville. (...) Comeu o seu almoço junto do fosso coberto de ervas do castelo. Observou um velhote que pesquisava a água coberta de plantas do fosso com um comprido rodo. O velhote fez contacto com um objeto pesado e duro e puxou-o para a margem. Era um musgoso busto de Pan, ornado de dois chifres e engrinalado. (...)
- Como é que ele foi parar ao fosso? - perguntou o rei.
- Oh, alguém que o empurrou. É costume fazerem-no. Normalmente, duas ou três vezes por ano.
- Mas porquê?
(...)
- Quem sabe? Há gente que empurra coisas para o fosso. (...) É o que eles fazem... introduzindo-se aqui de noite.
- E você puxa-as sempre cá para fora? (...) Você é dono disto?
- Não, não sou. Vivo aqui ao pé.
- Então porque as puxa cá para fora?
O velhote ficou perplexo, à procura de uma resposta.
- Porque...não sei. Acho que há pessoas que puxam coisas para fora... É o que elas fazem. Acho que sou uma dessas pessoas. (...) Acho que há pessoas que fazem coisas, e (...) acho que é como as coisas aparecem feitas.
- Bem ou mal? - perguntou o rei.
- Não compreendo - respondeu o velhote, cada vez mais desamparado - Há apenas pessoas...e o que as pessoas fazem."

Uma pequena pérola (sem pretensão a trocadilhos) do autor.