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2.0

O primeiro a criar expectativas foi o título. A rídicula ideia de nunca mais te ver. O título mais bonito que já li; a contracapa indicava um livro sobre o luto. Depois, veio o conhecimento de que falava não apenas do luto da autora, mas o luto (e a vida) de Marie Curie. Fiquei muito ansiosa por ler.

Infelizmente, pouquíssimo do livro discorre sobre o luto. Não é um memoir: a autora mesmo admite, bem no final, depois de um primeiro leitor indicar o claro desequilíbrio na narrativa, que não conseguiria falar mais sobre o falecido marido. E tudo bem, ninguém é obrigado (ela que se propôs).

Então sobra Curie: várias bibliografias - que em retrospecto, eu deveria ter escolhido em favor deste - são citadas para a autora poder comentar os acontecimentos da vida da cientista. Ênfase no comentar: passa a maior parte do tempo presumindo coisas sobre ela e sobre as pessoas da sua vida, e julgando essas pessoas, incansavelmente. Marie foi humilhada pela sociedade francesa, que misóginos - mas sabe quem era mesmo a bruxa? Uma outra mulher, que foi traída. Por deus, minha senhora. Sem contar o terrível fluxo de consciência: olha como Marie gostava de homens bonitos -> sabe quem é esse bonitão da foto? -> isso mesmo, um assassino em massa. (???)

Enfim, o livro ficou muito distante do que se propôs a ser. Nas poucas páginas em que toca o luto, chega a ser merecedor do título; mas na minha opinião, o bruto do livro é tediosamente coloquial e opinativo. Não vou nem entrar no tópico das hashtags. Talvez eu é que devesse evitar livros que se auto-descrevem como inclassificáveis.