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A review by anacatnascimento
Os Anagramas de Varsóvia by Richard Zimler, Stefan Rudnicki, J Paul Boehmer
3.0
Já tinha experimentado a escrita de Zimmler com O Último Cabalista de Lisboa e não tinha gostado. Achei lento, confuso e, a certa altura, desinteressante - curiosamente, é o seu livro mais conceituado. Não fiquei com grande vontade de lhe dar uma segunda chance, mas foi precisamente este autor que me saltou à vista nas prateleiras da livraria por ter no título duas coisas sobre as quais adoro ler: mistério e a referência à Segunda Guerra Mundial. A sinopse deixou-me empolgada e não hesitei em comprá-lo. 48 horas depois, terminei-o.
Estamos em Varsóvia, 1940. A Guerra já está em andamento e os guettos começam a encher-se com mais de 400 mil judeus. Erik Cohen é um deles, forçado a viver no limiar da pobreza com a sobrinha Stefa e o sobrinho-neto Adam, num pequeno apartamento.
A trama segue os passos de Erik, que se centram na sua demanda pela descoberta do assassino do pequeno Adam, que morre de forma cruel e em circunstâncias suspeitas.
O cenário é quase sempre o mesmo: o guetto onde viviam, com uma ou duas pequenas viagens ao “Outro Lado”, a Varsóvia cristã e nazi. E embora isso facilite a geografia mental do leitor, com descrições um pouco mais pormenorizadas e sítios reais, a verdade é que confere algumas limitações à história - mas nada que nos impeça de a desfrutar.
Outro ponto curioso acerca d’Os Anagramas de Varsóvia é o modo como a história é contada, e que em tudo me fez lembrar A Rapariga que Roubava Livros - e mais não digo, correndo o risco de spoilers!
A escrita faz recurso a referências à religião e misticismos judaicos, tendo os editores e tradutores (kudos para eles!) deixado até algumas palavras no ídiche ou polaco originais. Acima de tudo, e apesar de, por vezes, haver alguma lentidão na acção, a escrita é fluida e descreve bem os tormentos diários dos judeus bem antes de serem enviados para os campos de concentração.
Apesar de já ter lido sobre isso vezes sem conta, deixa-me sempre com um aperto no peito as descrições de sopas de casca de batata, os mortos de hipotermia nas ruas, vestindo pouco mais do que uma tshirt sem mangas, o sabonete que nada lavava, os piolhos, o tifo, a tuberculose e o escorbuto - e no final disto tudo, os campos. E mesmo assim, havia amor e solidariedade entre aquele povo, uma entreajuda que só vem ao de cima quando já não há vida, apenas sobrevivência.
Para mim, o principal ponto negativo d’Os Anagramas de Varsóvia é o facto de Erik andar para a frente e para trás nas suas suspeitas e, no final, haver uma certa sensação de cliché, do tipo “a sério? tanta coisa para ser esta pessoa?”.
Não vou mentir: apesar de tudo, não está nem perto dos meus livros favoritos sobre o tema. Mas é uma leitura super interessante - nem que seja pelas notas de rodapé! - e mudou a minha opinião acerca de Zimmler.
E tendo em conta o que eu pensava dele, é de louvar.
Estamos em Varsóvia, 1940. A Guerra já está em andamento e os guettos começam a encher-se com mais de 400 mil judeus. Erik Cohen é um deles, forçado a viver no limiar da pobreza com a sobrinha Stefa e o sobrinho-neto Adam, num pequeno apartamento.
A trama segue os passos de Erik, que se centram na sua demanda pela descoberta do assassino do pequeno Adam, que morre de forma cruel e em circunstâncias suspeitas.
O cenário é quase sempre o mesmo: o guetto onde viviam, com uma ou duas pequenas viagens ao “Outro Lado”, a Varsóvia cristã e nazi. E embora isso facilite a geografia mental do leitor, com descrições um pouco mais pormenorizadas e sítios reais, a verdade é que confere algumas limitações à história - mas nada que nos impeça de a desfrutar.
Outro ponto curioso acerca d’Os Anagramas de Varsóvia é o modo como a história é contada, e que em tudo me fez lembrar A Rapariga que Roubava Livros - e mais não digo, correndo o risco de spoilers!
A escrita faz recurso a referências à religião e misticismos judaicos, tendo os editores e tradutores (kudos para eles!) deixado até algumas palavras no ídiche ou polaco originais. Acima de tudo, e apesar de, por vezes, haver alguma lentidão na acção, a escrita é fluida e descreve bem os tormentos diários dos judeus bem antes de serem enviados para os campos de concentração.
Apesar de já ter lido sobre isso vezes sem conta, deixa-me sempre com um aperto no peito as descrições de sopas de casca de batata, os mortos de hipotermia nas ruas, vestindo pouco mais do que uma tshirt sem mangas, o sabonete que nada lavava, os piolhos, o tifo, a tuberculose e o escorbuto - e no final disto tudo, os campos. E mesmo assim, havia amor e solidariedade entre aquele povo, uma entreajuda que só vem ao de cima quando já não há vida, apenas sobrevivência.
Para mim, o principal ponto negativo d’Os Anagramas de Varsóvia é o facto de Erik andar para a frente e para trás nas suas suspeitas e, no final, haver uma certa sensação de cliché, do tipo “a sério? tanta coisa para ser esta pessoa?”.
Não vou mentir: apesar de tudo, não está nem perto dos meus livros favoritos sobre o tema. Mas é uma leitura super interessante - nem que seja pelas notas de rodapé! - e mudou a minha opinião acerca de Zimmler.
E tendo em conta o que eu pensava dele, é de louvar.