patricia_nascimento 's review for:

Metro 2033 by Dmitry Glukhovsky
4.0

RATING: 3.5 stars.

Num futuro não muito distante, no seguimento de uma guerra desastrosa que destruiu o mundo, o que resta da Humanidade vive no subsolo para se proteger da radiação e de criaturas de pesadelo que substituíram o Homem no topo da cadeia alimentar. Alguns milhares de pessoas sobrevivem, a custo, no metro de Moscovo sem saberem se são os últimos da sua raça. Quando a estação de VDNKh se vê ameaçada por estranhas criaturas mutantes, um jovem, Artyom, é mandado através dos escuros e misteriosos túneis até à mítica cidade "Pólis", o último arquivo do conhecimento humano e a única esperança de salvar os habitantes desta estação.

Metro 2033 foi uma leitura ao mesmo tempo frustrante e reveladora. Enquanto lia, experimentei sentimentos contrários acerca da escrita e foco do autor. Se nalgumas partes a narrativa flui de forma correcta e agradável, noutras Glukhovsky parece perder-se em considerações filosóficas por demasiado tempo, o que faz com que o leitor perca um pouco, o 'fio à meada'. No entanto, de modo geral, conseguiu equilibrar as várias vertentes e géneros de que vive a sua narrativa.

Artyom, um jovem inexperiente que quase nunca se aventurou para fora da sua estação de residência (cada estação representa uma sociedade ou mesmo cidade, nalguns casos) é incumbido de percorrer "a linha do Metro" até chegar à cidade Pólis, onde, segundo se diz vivem os da classe académica, os detentores do saber. Artyom, armado apenas de uma velha metralhadora, uma lanterna e alguns mantimentos, parte para uma viagem desconhecida por túneis mal iluminados (e muitas vezes sem qualquer tipo de iluminação).

Acompanhamos o jovem, enquanto este percorre os túneis e lida com diversos medos (afinal, encontra-se debaixo da terra...); conhecemos personagens insólitas que nos informam de lendas e mitos sobre este local sombrio onde vivem: os túneis onde desaparecem pessoas, os túneis onde se enlouquece, os túneis escondidos da antiga elite russa e mesmo a estação assombrada. O Metro de Moscovo tornou-se um mundo em miniatura e as pessoas continuam iguais a si próprias... apesar de tudo o que passaram ainda se dividem por credos, religiões ou ideais políticos. Ainda fantasiam sobre o que contém a escuridão.

Esta foi a parte que mais gostei no livro. O modo como os ideais que dividem as populações perduram, enquanto o conhecimento se desvanece e os sobreviventes regridem em termos civilizacionais.

O protagonista conhece algumas pessoas, a maioria das quais o ajuda na sua demanda e outros que tentam impedir que chegue ao fim. Desde comunistas a revolucionários e de místicos a membros de cultos (o Grande Verme, ahah), todas elas representam estereótipos políticos e religiosos e todos à sua maneira contribuem para a evolução de Artyom (que muitas vezes, para minha irritação, se mostrava um pouco burrinho) enquanto personagem.

Gostei bastante desta leitura, apesar do final um pouco abrupto e algo deprimente. Também não gostei do facto do autor ser bastante vago em relação ao que se tinha passado para se chegar ao cenário em que se moviam as personagens e confesso que os nomes das estações russas tornaram a leitura um pouco penosa, porque são tão complicados que é fácil esquecer qual é que fica aonde e por qual se tem de passar para voltar para trás... enfim, uma confusão. Outro factor que me dificultou um pouco a leitura foi a qualidade inconstante da tradução... pareceu-me que algumas partes estavam mal traduzidas ou então é a escrita do autor que é estranha, não sei.

No geral, uma boa obra dentro do género da Ficção Científica, mas se estão à espera de muita acção desenganem-se. "Metro 2033" é mais acerca da viagem e auto-conhecimento da personagem principal e há muito mais disso do que humanos a disparar sobre mutantes (mas também há isso).