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bensabat 's review for:
A Confissão da Leoa
by Mia Couto
Estrelas: 4.4
Adorei o estilo fluido de escrita do Mia Couto e também o carácter episódio da narrativa que a torna bastante mastigável e viciante. Os provérbios e lendas pontilhados pelo livro deliciaram-me. Fizeram-me lembrar o meu gosto por contos onde o imaginário, místico e lendário aparecem naturalmente no ''mundo real". A proporção de fantasia/realidade foi ideal para mim.
A exposição do conflito interno das duas personagens principais é feita gradualmente e de forma complementar, pelo que senti que estava a deslumbrar um mistério a cada página lida. Apesar do foco no Caçador e em Mariamar, não se descuidou o desenvolvimento das personagens circundantes.
A única crítica que poderia fazer seria à homogeneidade do estilo de escrita e exposição das diferentes personagens.
SPOILERS MENORES:
A maior surpresa, para mim bastante positiva, foi a da exposição da primeira-dama, Naftalinda, que é inicialmente introduzida como (aparente) descarga cómica e que se vai relevando como uma força viva de influência sobre a política local, desafio das práticas tradicionais de Kulumani e da proteção das mulheres.
No final, os eventos macabros que penetravam a aldeia, onde tanta violência se incidia sobre as mulheres, era apenas (tanto quanto nos é mostrado) percebida por três sabedorias, duas forças femininas, Naftalinda e Hanifa Assulua e uma força anciã, o avô Adjiru Kapitamoro.
Realmente, pareceu-me que o abuso da mulher se tornou o tema central deste livro, sendo também ele a génese da intriga pessoal do Caçador que, inesperadamente para mim, se resolveu sem caçada. De facto, eu esperava um confronto final, um reencontro entre o Caçador e Mariamar, mas a ausência do Caçador e a intervenção de Naftalinda ofereceram um desenlace mais suave, inesperado e significativo.
Adorei o estilo fluido de escrita do Mia Couto e também o carácter episódio da narrativa que a torna bastante mastigável e viciante. Os provérbios e lendas pontilhados pelo livro deliciaram-me. Fizeram-me lembrar o meu gosto por contos onde o imaginário, místico e lendário aparecem naturalmente no ''mundo real". A proporção de fantasia/realidade foi ideal para mim.
A exposição do conflito interno das duas personagens principais é feita gradualmente e de forma complementar, pelo que senti que estava a deslumbrar um mistério a cada página lida. Apesar do foco no Caçador e em Mariamar, não se descuidou o desenvolvimento das personagens circundantes.
A única crítica que poderia fazer seria à homogeneidade do estilo de escrita e exposição das diferentes personagens.
SPOILERS MENORES:
A maior surpresa, para mim bastante positiva, foi a da exposição da primeira-dama, Naftalinda, que é inicialmente introduzida como (aparente) descarga cómica e que se vai relevando como uma força viva de influência sobre a política local, desafio das práticas tradicionais de Kulumani e da proteção das mulheres.
No final, os eventos macabros que penetravam a aldeia, onde tanta violência se incidia sobre as mulheres, era apenas (tanto quanto nos é mostrado) percebida por três sabedorias, duas forças femininas, Naftalinda e Hanifa Assulua e uma força anciã, o avô Adjiru Kapitamoro.
Realmente, pareceu-me que o abuso da mulher se tornou o tema central deste livro, sendo também ele a génese da intriga pessoal do Caçador que, inesperadamente para mim, se resolveu sem caçada. De facto, eu esperava um confronto final, um reencontro entre o Caçador e Mariamar, mas a ausência do Caçador e a intervenção de Naftalinda ofereceram um desenlace mais suave, inesperado e significativo.