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2.0

Ao invés de um livro super bacana que conta sobre tudo que há de bom na vida dela, Mara Wilson resolveu escrever uma biografia para se lamentar.

Ela fala do quanto foi difícil crescer sentindo a pressão da fama (apesar de ninguém mais lembrar que ela existia depois de Matilda), da dificuldade em encontrar novos papéis, dos problemas de saúde de sua mãe e do quanto a mesma lhe faz falta. Sei que não deve ter sido nada fácil, mas eu não esperava que o livro fosse seguir por esse caminho.

Em certo ponto, ela relata momentos em que fez parte desses quadros "Por onde eles andam?", mostrando atores mirins atualmente. Disse que muita gente escreve comentários dizendo que ela é feia, e isso costumava chateá-la, mas agora não se importa mais. Sabemos que a nossa sociedade é injusta e tem o terrível hábito de julgar as pessoas pela aparência, mas adivinhe só? Ela faz o mesmo. Numa parte em que conta sobre os papéis que não conseguiu, ela diz que a atriz Kristen Stewart ficou com dois papéis que ela queria, apesar de ter praticamente implorado para os diretores. Diz que "não entendeu o porquê não foi chamada." Assim como ela, centenas de outras garotas não conseguiram os papéis. A Kristen não foi chamada por ser bonitinha, mas por ter se adequado melhor às personagens, se preparado mais e etc.

Um pouco depois, ela lamenta que se sente horrível, enquanto outras atrizes (novamente citando a coitada da Kristen) aparecem imaculadas nas revistas. Miga, supere. Ela julga todas aquelas colegas de profissão, como se apenas se importassem com a beleza e photoshoots. Garanto que ela não faz ideia do quanto de bullying a Kristen sofreu na vida até chegar onde está hoje. Aliás, ainda sofre. Pode não ser mais zoada na escola, mas tem milhares de haters na internet. Antes de escrever esse tipo de coisa, a Mara devia pensar que assim como ela, todas essas outras garotas também cresceram sob os olhos da mídia, também recebem comentários maldosos diariamente e também já viram montagens horríveis de fotos delas sem roupa, feitas por pedófilos e gente podre. Então, Mara, querida: você não é a única. Pare de se fazer de coitadinha.

A cada novo capítulo ela compartilha uma frustração diferente. Sabe aquela coisa da Matilda, que pensa numa coisa ruim e começa a ter força pros poderes? Acho que a Mara levou isso meio a sério demais.

Gostei de ler curiosidades sobre os sets de filmagem em que ela esteve na infância. São as únicas partes que se salvam nesse livro. E também a homenagem para o Robin Williams, que é emocionante, apesar dela se culpar um pouco, achando que podia ter evitado o suicídio dele se tivesse lhe telefonado, ou concordado em fazer a sequência do filme. Nada a ver!

No geral, teria sido muito melhor ler sobre as coisas boas que ela fez durante esse tempo, sobre outras formas de inspiração que encontrou no meio do caminho e outros trabalhos. Essa parte do conteúdo é quase mínima. Ela disse que costumava escrever coisas apenas para si mesma, pois tinha medo que os outros lessem. Eu teria preferido ler algum desses textos. Na minha opinião, a Mara desperdiçou uma grande chance de mostrar pro mundo que ela pode sim ser muito talentosa. Ao invés disso, preferiu se fazer de vítima. Eu teria dado menos estrelas, mas fiquei com tanta pena dessa garota que dei uma a mais de bônus.