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introvertisa's Reviews (525)


A trilha sonora que me veio à cabeça assim que comecei Caro Rafael Clemente foi Speak Now, da Taylor. “I hear the preacher say ‘Speak now or forever hold your peace’. There's a silence, there's my last chance, I stand up with shaking hands, all eyes on me.
Horrified looks from everyone in the room, but I'm only lookin' at you”, Swift canta.
Mas na obra de Helvio Caldeira, o protagonista pede para não ser encarado, com medo do que seus olhos podem revelar.

Me pergunto se durante seu discurso, ele conseguiu olhar para Rafael, mas acredito que o casamento, cenário do princípio é do fim do conto, seja um dos únicos momentos em que o personagem não tenha mantido seus olhos em Rafa, diferente de todas as outras páginas em que ele é o centro de tudo. “Era tudo muito novo, era tudo sobre você, isso tudo ainda é sobre você, Rafa”. E pode parecer que o livro é mesmo sobre Clemente, mas não teria tanta certeza. Ao menos não é essa a minha interpretação.

Caro Rafael Clemente fala sobre um amor não correspondido, sobre segredos, sobre juventude, sobre erros, acertos, julgamentos, sobre amadurecimento e, principalmente, sobre amizade e memória. Uma narrativa profunda, que entrega tudo sobre o seu narrador, menos o seu nome. É uma história de si narrada através do eu observando o outro, e não qualquer outro, mas o objeto de desejo, de amor e afeto.

É bonito ler sobre esse sofrimento. Não me leve a mal, longe de mim ser masoquista, mas a leitura me fez lembrar de outras canções, porque o conto em si pode ser comparado a uma canção de amor e de coração partido.

Se no início achei que se tratava de uma versão mais adulta e LGBTQ+ de Speak Now, me enganei. A trilha correta é da mesma artista, mais mais recente: “'cause saying goodbye is death by a thousand cuts, flashbacks waking me up. I get drunk, but it's not enough, ‘cause the morning comes and you're not my baby. I look through the windows of this love, even though we boarded them up, chandelier still flickering here, ‘cause I can't pretend it's okay when it's not. It's death by a thousand cuts”